Calma, isso aconteceu em 22 de junho de 1944. Publicada na ocasião pela Folha de São Paulo, é uma notícia muito engraçada para os dias de hoje. Policiais até instauraram um inquérito envolvendo Dino e Servilio, os dois jogadores alvinegros envolvidos nas "atividades de um macumbeiro residente em Vila Esperança" (pertinho da minha casa).
Dramaturgo participou de disputa também aberta a obras dos países africanos de língua oficial portuguesa
O escritor paraense Carlos Correia Santos foi o grande vencedor da categoria dramaturgia do concurso binacional “Literatura Para Todos”, promovido pelo Governo Federal, através do Ministério da Educação. Aberto a autores de todo o Brasil e dos países africanos que adotam a língua portuguesa, o edital tinha como proposta destacar obras inéditas destinadas aos chamados neoleitores (crianças, jovens e adultos recém alfabetizados). Também foram premiadas obras nas categorias prosa, poesia, tradição oral e perfil biográfico. O texto com que Carlos Correia venceu a disputa (uma peça para o público infanto-juvenil) se chama “Não Conte com Um Número Um no Reino de Numesmópolis”. Além de receber o valor de R$ 10.000, o nortista terá seu trabalho transformado em livro que será distribuído a centros educacionais de todo o país.
A entrega do prêmio deverá acontecer na capital paraense, no início do mês de dezembro, durante a VI Conferência Internacional de Adultos (CONFINTEA), importante iniciativa de mobilização educacional com repercussão mundial. Há vários anos o evento não era realizado no Brasil. Este ano, a capital paraense será o palco para a ação. O fato do concurso ter entre seus premiados um autor paraense foi uma feliz coincidência.
O CERTAME
A realização do Concurso Literatura para Todos é uma das estratégias da Política de Leitura do Ministério da Educação, que procura democratizar o acesso à leitura, constituir um acervo bibliográfico literário específico para jovens, adultos e idosos recém alfabetizados e criar uma comunidade de leitores. Esse novo público é chamado de neoleitores.
O MEC publica e distribui as obras vencedoras às entidades parceiras do Programa Brasil Alfabetizado, às escolas públicas que oferecem a modalidade EJA, às universidades da Rede de Formação de Alfabetização de Jovens e Adultos, aos núcleos de EJA das instituições de ensino superior e às unidades prisionais.
Em 2009, em sua terceira edição, os candidatos concorreram nas categorias prosa (conto, novela ou crônica), poesia, texto de tradição oral (em prosa ou em verso), perfil biográfico e dramaturgia. Foram selecionadas duas obras das categorias: prosa, poesia e textos da tradição oral e apenas uma obra nas categorias perfil biográfico e dramaturgia. A disputa também esteve aberta para obras, de qualquer uma das modalidades do concurso, produzidas por autores naturais dos países africanos de língua oficial portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Os vencedores receberão prêmios no valor de R$ 10 mil.
Em 2008, 729 foram inscritas. Desse total, 129 obras foram desclassificadas por não atenderem às exigências do edital. Concorreram ao prêmio 608 obras inscritas , sendo 301 textos em prosa (contos, novelas, crônicas), 14 biografias, 30 textos de tradição oral, 246 poesias e 17 obras de países africanos.
O ENREDO
Uma fábula na qual os números viram personagens em um mundo impensável. Esse é o grande mote da obra com a qual Carlos Correia Santos venceu o III Concurso Literatura para Todos. Cansado de precisar tomar sempre a primeira iniciativa sobre todas as coisas, o Número Um, o grande soberano do reino dos algarismos (Numesmópolis), decide abandonar tudo. Quer ir embora, viver sozinho. Afinal, ele se basta. Os demais números, no entanto, ficam em polvorosa. O que será do mundo, o que será da vida sem o Número Um? Tudo nasce com ele, tudo parte dele. É impossível não contar com ele! O Zero, o Dois, o Três e o Quatro resolvem usar as operações numéricas para mostrar que subtrair certas emoções, somar forças, dividir belezas e multiplicar conquistas é algo fundamental para todo e qualquer... um.
PERFIL DO NEOLEITOR NO BRASIL
De acordo com a Mestre em Literatura Brasileira pela UFPR, Elisiani Vitória Tiepolo, o neoleitor é o jovem, adulto ou idoso que está iniciando sua caminhadade leitor. Para compreendê-lo melhor, é importante conhecer os dados brasileiros sobre a leitura e alfabetização entre os maiores de 15 anos. Segundo o INAF/2007(Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional) a situação do alfabetismo entrepessoas entre 15 e 64 anos de idade, que estejam ou não estudando,residentes em todas as regiões do país em zonas urbanas e rurais, abrange quatro estágios: o analfabetismo, o alfabetismo nível rudimentar, o alfabetismo nível básico e o alfabetismo nível pleno.
Analfabetismo corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.). Nesse nível estão 7% da população pesquisada.
Alfabetismo nível rudimentar corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (com o um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, com o manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica. 25% da população pesquisada estão nesse nível.
Pessoas classificadas no segmento alfabetismo nível básico podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma seqüência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações. Corresponde a 40% da população pesquisada.
No segmento alfabetismo nível pleno estão 29% das pessoas. Suas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: lêem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos.
Além da pouca experiência em ler textos escritos, geralmente os neoleitores vêm dos estratos populares, e, mesmo morando no mundo urbano, trazem consigo uma história bastante vinculada ao mundo rural. Além disso, sobrevivem em subempregos em que os baixos salários e a subserviência prevalecem. Cada vez mais, os idosos têm buscado alfabetizar-se. As mulheres são, em maior número, muitas vezes motivadas pela necessidade de ajudar os filhos nas tarefas escolares. O processo de alfabetização pelo qual passam (ou passaram, pois a maioria freqüentou em algum momento da vida um tempo de escola) ainda se baseia, muitas vezes, em atividades de memorização, o que os leva à idéia de que ler é uma atividade mecânica.
Dama da dor de cotovelo, triste, melodramática e qualquer outro adjetivo down já foram associados à Dolores Duran. Felizmente, 50 anos após sua morte, sua música é apreciada por novas gerações e há uma espécie de “redescoberta” de sua importância para a história da música popular brasileira. Não é para menos, além de grande compositora, Dolores era excelente intérprete - até Ella Fitzgerald elogiou sua versão para My Funny Valentine. Se parte das canções apresentavam um tom melancólico, outras eram alegres e inspiradas como Estrada do Sol, em parceria com Tom Jobim, que festeja até os pingos da chuva.
Dolores flertou com a bossa nova e só não participou mais ativamente porque morreu precocemente, em 24 de outubro de 1959, pouco antes do movimento estourar no Brasil e no mundo. Após sua morte, teve canções cantadas pela nata da MPB em inúmeras coletâneas e homenagens. “Por causa de você” ganhou versão em inglês (Don’t ever go away) e foi gravada por Frank Sinatra em seu disco Sinatra & Company, em 1971.
Hoje, Dolores Duran é considerada a primeira grande compositora da história da MPB, parceira de Tom Jobim e Billy Blanco; precursora da bossa nova, ótima letrista e intérprete. Neste aniversário de morte, alguns discos em sua homenagem foram (re)lançados, bem como livros biográficos. Até uma dramatização de sua vida figurou em um programa televisivo produzido pela Rede Globo, dentro da série Por Toda a Minha Vida.
Dos discos comemorativos, o que mais chamou a atenção foi o CD Entre Amigos, lançado pelo selo Biscoito Fino, que emocionou todo fã da cantora: reproduções de uma jam session realizada na casa de Geraldo Casé, em que participam Dolores, Baden Powell, Manoel da Conceição e Chiquinho do Acordeom. Como bônus, o CD traz três faixas-bônus de um distante 1953, gravadas na casa do casal Marques de Azevedo, avós da cantora Marisa Monte.
Dizem por aí que ainda existem canções inéditas. Só nos resta esperar.
O artista paraense Pedrinho Cavallero acabou de lançar um DVD em homenagem ao grande Billy Blanco. Dentre as canções escolhidas, uma imortalizada pela Dolores Duran: A Banca do Distinto.
Days of wine and roses chegou aqui com o título de Vício Maldito. Neste instigante filme de Blake Edwards, de 1962, Jack Lemmon é um relações-públicas que bebe doses extras de vinho para conter sua insatisfação pessoal. Sua apaixonada esposa o acompanha no vício pelo álcool, rumo a uma decadência sem volta.
Assim como o alcoólatra de Lemmon, quantos de nós não percebemos a lama subindo pelas canelas? Difícil é reconhecer o vício, saber o limite para não extrapolar. Há pouco tempo notei que uma colega tomava uma lata de leite condensado toda manhã, na mesa de trabalho. Às tardes, ela ainda comia bolos, docinhos, chocolates e balas. Estava viciada em açúcar e não percebia. Hoje, tem diminuído o consumo, mas ainda há docinhos espalhados perto do monitor. Um outro amigo está sempre "amaconhado". Olhos vermelhos, fala mole e sorriso fácil denunciam-no. Mas ele não acredita no que dizemos.
Conheço meninos que passam o dia na frente de vídeogames, vítimas dos vícios modernos que incluem TV, internet, celular e jogos eletrônicos. Vejo mulheres que se entopem de chocolate, gente que bebe muito, que fuma, que não percebe o grau de sua entrega. Eu já assumi que sou viciada em cafeína. Amante de cafés gourmet e chá Ceilão, já passei a noite sem dormir por ter ingerido mais café do que deveria.
Um vício é sempre ruim, não há lado sutil. O próprio Houaiss nos dá a definição : "1. Defeito físico ou moral. 2. Tendência para o mal; depravação". Não há rosas doces, apenas o vinho amargo, como na tradução brasileira do filme.
The days of wine and roses é também o nome da belíssima canção-tema do filme, composta por Henry Mancini. Minha versão preferida desta música é a tocada pelo baixista Jaco Pastorius. Como não encontrei (que pena!), deixo a performance em piano de Haydn Huckle.
Post recalchutado do meu outro blog, De Bubuia (21/11/2007).
Se vivo fosse, amanhã o escritor paraense faria 100 anos. Abaixo, matéria de O Liberal sobre o centenário e as edições de suas obras.
Mais páginas para Dalcídio
Edição de 09/01/2009
Centenário do escritor levanta polêmica sobre a falta de boas reedições para sua obra
GUTO LOBATO Da Redação
Há quem não se recorde, mas amanhã é um dia fundamental para a história da literatura amazônica: o dia em que um dos autores paraenses mais significativos para o século XX completa seu centenário de nascimento. O problema é que tanto a vida quanto a obra do escritor marajoara Dalcídio Jurandir (1909-1979), paradoxalmente, continuam envoltas em uma névoa de incerteza para muitos leitores e estudantes do País. A razão é simples: pouco, muito pouco, do que ele escreveu ao longo de sua trajetória está nas bibliotecas - e a razão para isso envolve uma longa polêmica entre instituições, editoras e os detentores de seus direitos de publicação. Publicado em escala inferior à sua importância, Dalcídio permanece desconhecido para muitos - um nome quase restrito ao meio acadêmico, enfim.
Era de se esperar que o autor da série 'Extremo Norte' - que contém, entre outros, os livros 'Belém do Grão-Pará' (1960), 'Chove nos campos de cachoeira' (1941) e 'Passagem dos inocentes' (1963) - fosse, no mínimo, presença constante nas prateleiras do leitor brasileiro. O problema é que, após a morte de Dalcídio em 1979, sua obra encontrou dificuldades para ser editada. Na década de 1990, os filhos de Jurandir, José Roberto Pereira e Margarida Benincasa, detentores dos direitos de publicação de sua obra, assinaram contrato com a editora Cejup para que ela relançasse no País os dez livros da série 'Extremo Norte', que o escritor lançou entre 1941 e 1978, mas uma longa polêmica se iniciou logo em seguida. De um lado, os filhos entraram na justiça alegando que a editora não havia publicado nem metade dos livros, sem alcance nacional; do outro, a editora questionou as acusações e aceitou o embate legal.
O resultado foi que, da morte de Dalcídio até agora, só houve seis reedições de sua obra, três delas pela Cejup, uma pela editora Falângola e mais duas pela editora da Universidade Federal do Pará com a Casa de Rui Barbosa. A mais recente delas é a terceira edição de 'Marajó' (1947), lançada no ano passado pela EDUFPA e Casa de Rui Barbosa durante a XII Feira Pan-Amazônica do Livro. A editora da Universidade Estadual do Pará (Uepa) relançará, em março, 'Primeira manhã' (1968).
POLÊMICA
Em Belém para prestigiar as programações pelo centenário de Dalcídio Jurandir, que começam amanhã em vários pontos do Estado, os filhos José Roberto Pereira e Margarida Benincasa conversaram por telefone com a reportagem do Aeroporto Val-de-Cans, logo após a chegada à capital na manhã de ontem. Os dois estão animados com o clima de revalorização da obra do pai e não disfarçam a vontade de ver sua obra circulando pelo Brasil. 'É uma pena termos perdido tanto tempo nesta polêmica. Vemos a obra de nosso pai ser admirada por escritores de todos os cantos, mas ainda assim permanecer desconhecida entre as novas gerações', lamentou José Roberto, que é biólogo e vive em Niterói, no Rio de Janeiro. A mesma opinião foi apresentada por Margarida, que também é bióloga e reside em Jaboticabal, no interior paulista. Além de admiradora incondicional da obra do pai - com o qual teve bastante contato ao final de sua vida -, ela também confessa ter uma meta a concretizar: ver seus livros nas mãos dos jovens estudantes. 'Já houve um curto período em que a última edição de ‘Belém do Grão-Pará’ foi cobrada como leitura de vestibular, mas foram apenas três anos, os jovens continuam sem conhecê-lo. O que queremos é republicar a obra do papai de forma acessível para estudantes. Ele é reconhecido como um dos autores essenciais no meio literário brasileiro, mas popularmente ninguém o conhece no Sudeste', conta.
Quando questionada sobre as polêmicas envolvendo editoras, Margarida é enfática: 'Nunca quisemos prender a obra do Dalcídio, estamos apenas defendendo ela de pessoas que não se interessam em publicá-la de forma ética. Já roubaram originais nossos, deixaram de nos pagar direitos autorais. Agora o que queremos é tomar conta de verdade e fazer parcerias para finalmente popularizá-la nesta data emocionante que é o centenário de seu nascimento', garantiu a filha de Jurandir.
Próximos anos devem reparar todo esse erro histórico
Se tudo correr conforme esperam os filhos do escritor marajoara, os próximos anos deverão reparar um erro histórico. Segundo alguns professores de literatura amazônica contaram à reportagem, mesmo com os preparativos para o centenário, a obra de Jurandir permanece pouco abordada nos ensinos fundamental, médio e até mesmo superior. Sua única obra que figurou nas leituras obrigatórias para o vestibular, 'Belém do Grão-Pará', foi cobrada por apenas três anos (2005 a 2007).
Uma das pesquisadoras mais ávidas do autor, a professora universitária e escritora Amarílis Tupiassú revela que tem dificuldade em trabalhar conteúdos relacionados a ele na disciplina Literatura Amazônica, do curso de licenciatura em Letras. 'É triste dizer isso, mas muitos alunos de Letras entram na universidade sem conhecer mesmo suas poucas obras republicadas, como ‘Belém do Grão-Pará’. Às vezes ainda quero trabalhar outros livros, mas é difícil por conta do tempo hábil da disciplina. Sem uma formação de base, a obra de Dalcídio, que é um dos mais importantes autores do País, dificilmente se tornará conhecida como merece', conta a professora, que ao longo dos anos conseguiu comprar em sebos do País toda a obra de Jurandir, em originais.
'Ele era um homem que enfrentava as adversidades com um senso de perspectiva maravilhoso. Em algumas de suas obras, como ‘Passagem dos inocentes’ e ‘Chove nos campos de cachoeira’, ele se mostra um profundo conhecedor do linguajar e do modo de vida amazônicos, e tudo sem ter passado por uma educação formal completa. Ele soube transparecer, em sua vida e em sua carreira, um caráter excepcional e uma vontade de retratar e compartilhar das vivências dos menos favorecidos', analisa. Quem também sentiu na pele as dificuldades de conhecer a fundo o autor foi a professora universitária Sheila Maués. Mesmo admirando Dalcídio desde a infância, ela só teve a chance de ler suas obras durante a pós-graduação. 'Naquela época, não trabalhávamos o conteúdo amazônico de forma integral na graduação', lembra. Hoje, ela leciona a disciplina pontuando materiais do autor, mas encontra as mesmas dificuldades para popularizá-lo entre os alunos.
Segundo ela, vários fatores contribuem para que Jurandir permaneça desconhecido fora do meio acadêmico. 'Acredito que a literatura seja um sistema, então a culpa não é apenas das editoras', diz Sheila.
Segundo a Folha Online, a atriz, ícone dos anos 50, morreu nesta quinta-feira (11), em Los Angeles (EUA), aos 85 anos. "Segundo site oficial da ex-modelo (www.bettiepage.com), ela morreu de pneumonia uma semana após perder a consciência durante um ataque cardíaco."
Falei dela em outras oportunidades aqui no Relicário:
Sampa tem hoje muitos bares “de tapas”, que imitam os da Espanha. Eles servem pequenas porções (entre 100 e 150 gramas) de iguarias, o que gera uma degustação de pratos e sabores diferentes, além de permitir que, entre várias pessoas de um grupo, cada uma possa pedir pequenas quantidades do que mais interessar. Uma vez, para uma matéria sobre comida espanhola, entrevistei o simpático proprietário do bar Calà del Grau – Cocina de Espana, Juan Quilis. Ele me contou que há duas versões para a origem do nome tapas.
A primeira, mais romântica, conta que o rei Afonso X, o Sábio, estava muito debilitado e não conseguia se alimentar direito. Seu cozinheiro começou a servir pequenas porções acompanhadas de vinho. O rei se recuperou e recomendou que se seus súditos comessem aos poucos e bebessem vinho junto. Então, para obedecer ao rei, os copos vinham acompanhados de fatias de presunto, batatas, queijos…
Achei uma menção a essa história num site espanhol “… el Rey Sabio dispuso que en los mesones de Castilla no se despachara vino si no era acompañado de algo de comida, regia providencia que podemos considerar oportuna y sabia para evitar que los vapores alcohólicos ocasionaran desmanes orgánicos en aquellos que bebían….”
Segundo Quilis, a segunda versão é que as bodegas tinham muitos insetos, falta de higiene, e para evitar que estes caíssem no vinho, os copos eram tampados com pedaços de jamon, berinjela ou outro alimento.
No mesmo site, essa informação também procede “Cuando en toda España se generalizaron lãs,„botillerías” y „tabernas”, la provisión del Rey Sabio continuó vigente. Y, por esta razón, el vaso o jarro de vino se servía tapado con una rodaja de fiambre, o una loncha de jamón o queso, que tenía dos finalidades: evitar que cayeran impurezas o insectos en el vino y facilitar al cliente empapar el alcohol con un alimento sólido, como aconsejaba Alfonso X. Éste fue el origen del nombre de esta tradición española tan arraigada, la tapa, el alimento sólido que tapaba el vaso de vino.”
Seja qual for a origem, hoje em dia, os espanhóis adoram passar a noite comendo aos bocadinhos em locais com vários bares de tapas, de ambos os lados da rua. São bares estreitos, com apenas um grande balcão de pedidos e nada de mesas ou bancos. As pessoas pedem alguma coisa e ficam de bar em bar, experimentando um pouco de cada acepipe. No fim da noite, uma pessoa chega a percorrer cinco ou seis bares. Essa concentração de bares é chamada “El Tapeo”.
Quer provar algumas tapas em São Paulo?
Calà del Grau: Rua Joaquim Távora 1266 - Vila Mariana.
Telefone: 11-5549-3210
Eñe: Rua Dr. Mario Ferraz 213 - Jardim Paulistano.
Em setembro, há cem anos atrás, morreu Machado de Assis. Foi também este o mês escolhido pela Fundação Casa de Rui Barbosa para encerrar as homenagens que, em 2008, prestou ao autor, com um ciclo de palestras todas as segunda-feiras do mês de setembro.
segunda-feira, 1 de setembro, 18h ::"O alienista": Machado de Assis e o mundo às avessas Sergio Paulo Rouanet (Academia Brasileira de Letras)
Sergio Rouanet faz uma leitura de O alienista em dois registros – o cognitivo e o político –, associando-o ainda ao Elogio da loucura e a um conto de Edgar Allan Poe, sem descartar paralelos com outras narrativas machadianas.
segunda-feira, 8 de setembro, 18h
::"Conto de escola" e as moedas da corrupção em Machado de Assis Hélio de Seixas Guimarães (Universidade de São Paulo)
Hélio de Seixas Guimarães explora Conto de escola e a partir dele faz uma reflexão sobre a monetarização da sociedade brasileira ao longo do Segundo Reinado, registrada em outros momentos da ficção de Machado, que também merecem sua atenção.
segunda-feira, 15 de setembro, 18h
::"Singular ocorreência": O enigma Marocas Ivo Barbieri (UERJ)
O olhar machista do narrador (e de seu interlocutor) de Singular ocorrência é denunciado por Ivo BarIvo Barbieri, que investiga Marocas como enigma, valendo-se de conceitos da fenomenologia e perscrutando o paradoxo contido já no título do conto.
segunda-feira, 22 de setembro, 18h
::"A causa secreta": Solidariedade do aborrecimento humano Silviano Santiago (Escritor e ensaísta)
A causa secreta recebe de Silviano Santiago uma interpretação inquietantemente inaugural, que aponta para um Machado nosso contemporâneo – ao identificar referências no século XXI – e surpreende no leitor um último desdobramento do olhar de Fortunato.
segunda-feira, 29 de setembro, 18h
::"Missa do galo": Aproximações Marta de Senna (Fundação Casa de Rui Barbosa)
Marta de Senna procura aproximar-se de Missa do galo por mais de um caminho, privilegiando o caráter impressionista do conto, suas semelhanças com narrativas de Tchekhov e a astúcia do narrador machadiano de primeira pessoa.
Sala de Cursos Informações e inscrições a partir de 04 de agosto de 2008, no portal www.casaruibarbosa.gov.br ou por telefone: (21) 3289-4691; 3289-4631 (Marília ou Danielle)
Endereço: Rua São Clemente, 134, próximo à estação Botafogo do Metrô, no Rio de Janeiro. Tel: 21. 3289-4600.
Trata-se de meu último trabalho (pesquisa, redação, checagem e muitas horas na frente do computador). Já está na pré-venda!!
Este guia apresenta o que Bairro da Liberdade tem de melhor: desde compras, serviços e alimentação, até um histórico do bairro e de sugestões de passeios a pé. Localizado na região central de São Paulo, foi caracterizado como bairro oriental em 1974. Inicialmente conhecido pelos imigrantes japoneses, também é reduto de chineses e coreanos. A iluminação, com as típicas lanternas vermelhas, caracteriza suas ruas, visitadas por milhares de paulistanos e turistas aos fins de semana, em busca de produtos típicos, restaurantes e ícones da cultura pop oriental. O Oriente está no coração de São Paulo.
Evento, que começa nesta sexta (11), terá outras estrelas da 'anime song'. Expectativa da organização é reunir 120 mil pessoas até o próximo dia 20.
Do G1, em São Paulo
O cantor japonês Akira Kushida, famoso por interpretar músicas de alguns dos seriados mais populares da TV japonesa do passado como "Jaspion", "Jiraiya" e "Jiban", participa nesta sexta-feira (11), a partir das 16h30, de um bate-papo com os fãs no palco do 6º Anime Friends, evento em São Paulo dedicado ao universo dos desenhos animados e quadrinhos orientais.
No dia seguinte, Kushida, que já esteve outras três vezes no Brasil, realiza um show ao lado de outras estrelas do gênero conhecido como anime songs: Takayuki Miyauchi, Hideaki Takatori e Takumi Tsutsui, ator que encarnava o Ninja Jiraiya no seriado.
O farto cardápio musical do evento - que acontece de 11 a 13 e de 16 a 20 de julho - é só uma parte das atrações do Anime Friends deste ano. Além de circular pelos estandes das principais editoras de mangás baseadas no Brasil, os visitantes poderão ainda assistir a sessões de animês, disputar campeonatos de games e de cards e até se inscrever num curioso torneio de espadas (de brinquedo, ressalte-se).
Além do tradicional concurso de cosplay, em que os participantes se vestem como e interpretam seus heróis preferidos no palco, o evento também promoverá, no sábado (12), a entrega do "Oscar da dublagem".
Um dos maiores eventos do gênero no país, a organização do Anime Friends espera reunir 120 mil pessoas nesta edição. Ainda segundo a organização, o público na edição passada foi de 86 mil pessoas durante seis dias.
6º Anime Friends
Quando: de 11 a 13 e de 16 a 20 de julho, das 10h às 21h. Onde: Espaço Mart Center (R. Chico Pontes, 1.500, Vila Guilherme, São Paulo). Quanto: R$ 15,00 (válido para dia 12 ou 13), R$ 10,00 (para dia 11 ou 16 ou 17 ou 18) e R$ 25,00 (para dia 19 ou 20 de julho) Informações:www.animefriends.com.br